Mães pelo Clima. A nossa casa está a arder!

Mães pelo Clima. A nossa casa está a arder!

02/05/2021
Dia da Mãe 2021

Carta aberta aos dirigentes, agentes políticos e sociedade civil
“A nossa casa está a arder!”


Alguns meses depois da célebre intervenção de Greta Thunberg o Parlamento Europeu declarou, e bem, o Estado de Emergência Climática. Não é para menos.
O nosso sistema de produção/distribuição e consumo de alimentos, segundo o relatório da Chatham House (com apoio da UN Environment Programme (UNEP)), é o principal acelerador de perda da biodiversidade. Este sistema de produção de alimentos é responsável por cerca de 30% das emissões de gazes com efeito de estufa (GEE) no mundo.
As alterações climáticas são uma ameaça constante à biodiversidade do planeta e à nossa própria existência. É urgente perceber que a natureza não conhece fronteiras. O que acontece do outro lado do mundo tem impactos neste.


No dia 21 de abril a Comissão, o Conselho e o Parlamento Europeu chegaram a um acordo para a Lei do Clima que vincula legalmente a União Europeia (UE) a reduzir pelo menos 55% das suas emissões de gases de efeito de estufa (GEE) até 2030 (comparado com os níveis de 1990). Não chega porque segundo a comunidade científica a redução deve atingir cerca de 65%. As ações que estão em curso são claramente insuficientes para assegurar um aumento de temperatura global até 2050, que não ultrapasse o 1.5ºC face à temperatura global na época pré-industrial.


É tempo de tomarmos esta causa como uma batalha pessoal.
É tempo de cada um de nós ser (se já não o é) agente de mudança. Cada pessoa pode fazer a diferença porque cada pequeno gesto conta e tem impactos positivos. Fazer escolhas diárias mais sustentáveis, educar os líderes do futuro com empatia e consciência, influenciar os nossos círculos e tomar parte ativa na vida política.
A maternidade é um dos momentos mais marcantes na vida de uma mulher e marca muitas vezes um ponto de viragem entre o “sou apenas eu” e o “agora somos nós”. Em várias espécies de mamíferos a maternidade vem associada de um instinto protetor da prole, das crias e do ninho/território. O laço entre mãe e bebé é muito forte e sabemos que a progenitora fará tudo para o proteger. Se o filho adoecer a mãe não vai adiar o problema e vai cuidar.


Posto isto perguntámo-nos quantas mulheres abdicaram do sonho de serem mães por não quererem condenar os seus filhos a um futuro incerto? Quantas mães temem o pior cenário para os seus descendentes? Será que os nossos filhos e filhas nos irão (e bem) cobrar por herdarem uma mãe Terra em colapso ecológico?


Um estudo da Global Warming's Six Americas in 2020 mostrou que apenas 26% da população americana está alarmada com as alterações climáticas e cerca de 28% está preocupada. A maioria são mulheres (mães). Na Europa, felizmente os dados são mais promissores, mas ainda assim insuficientes para mudar a maré.


A verdade é que na sua generalidade as mães têm uma capacidade de resiliência enorme e mães conscientes podem influenciar outras pessoas e criar líderes que por sua vez podem influenciar outras mais contribuindo para um crescimento exponencial de alarme e ação!
“Mães pelo Clima” são mulheres, cientistas e investigadoras que conhecem todos os cenários devastadores das alterações climáticas e anseiam por um mundo habitável para os seus e para os filhos de todas as mães. Durante a Pandemia estas mulheres criaram um movimento de alerta e decidiram ser a mudança que queriam ver. Fizeram várias ações e palestras entre as quais uma campanha online “Science Moms” para inspirar e apelar a todas as pessoas que tornem pessoal a luta pelas alterações climáticas numa estratégia de marketing direcionada para mães explicando em linguagem acessível o que a comunidade cientista afirma há anos.


Assim, e no seguimento do dia da Terra a 22 de abril e o dia da mãe a 2 de maio, vimos apelar à tomada de consciência e ações concretas para enfrentar a crise climática vigente face à rápida deterioração e delapidação dos recursos naturais da Terra, o único planeta que temos.


Junta-te a este apelo. Juntas conseguimos.

Pelas mães no Volt Portugal